E se a tua maior maldição fosse viver eternamente?! Uma história contada, onde o surreal de uma maldição vem assombrar uma mulher que negou a morte!

09
Mar 09

 

Se me quiserdes acompanhar até à cozinha, apresentar-vos-ei a minha casa. Não lhe chamo de lar, porque como vos disse, estou a mudar constantemente de país, mas para esta história vos contar, sentar-me-ei depois na minha grande e confortável poltrona, esperando que vós mesmo façais o mesmo, vos sentais confortavelmente, bem quentes, e quando a noite cair, vos agarreis à almofada, que a minha narrativa não é um conto de fada… bem pelo contrário… eu apenas vejo terror.

 

Se há algo que em todas as casas, que habitei ao longo dos anos, se assemelhavam, é neste quadro, que em todas elas pendurei nas paredes dos corredores. Não sei explicar, mas esta sensação de luz, no meio de um espaço negro, faz-me continuar a acreditar que Deus existe mesmo, apesar de tudo aquilo que já me fez passar. Bem! Na verdade, de nada o culpo, a culpa é inteiramente minha e ao contrário do que muitos dizem, eu acredito que Deus não pode controlar as nossas vidas. Não haveria ele ter mais que fazer e para que nos serviria sermos livres se teríamos de executar as ordens de alguém? Assim, eu quis ser livre, quis fazer escolhas e agora sofro as consequências das minhas decisões. Tenho pena é que elas acabaram por afectar aqueles que mais amei e aqueles que possivelmente amarei. Por isso é que me tento afastar das pessoas, não quero fazer sofrer os outros, por minha causa. Ninguém merece tal coisa.

Agora que o vejo, este tapete de lã é outro artefacto que me acompanha desde sempre. Foi-me oferecido por uma tribo africana. Gente simples, arcaica, mas boa. Acho que a única que conseguiu ficar estável com a minha presença no meio deles. Mas preferi retirar-me, apesar de lá me sentir em segurança. Como diz o ditado: água mole, pedra dura, tanto bate, até que fura. E eu não quis arriscar, brincar com o fogo e queimar-me a mim e a eles. Mas sempre que não consigo dormir, que de noite os meus demónios são ferozes, venho para o corredor e deito-me neste tapete, sob a vigília da tribo desenhada e do Deus que eles contemplam, neste fundo castanho claro de lã! Antes as dores da coluna, que as dores da alma. Acreditai que doem mais. E assim durmo mais descansada, se isto não fosse vida (apesar de eu já não qualificar assim a que tenho), passaria todas as minhas noites neste tapete de lã, debaixo do meu quadro negro.

publicado por stevs às 11:21

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