E se a tua maior maldição fosse viver eternamente?! Uma história contada, onde o surreal de uma maldição vem assombrar uma mulher que negou a morte!

18
Abr 09

 

A minha história começa há precisamente 316 anos, ano em que Joana de Portugal é beatificada, ano em que Catânia, mais uma vez, é destruída pelo terramoto e como ela, a minha vida, também começa a desmoronar. Tinha eu dezanove anos, já a caminho dos vinte e era uma rapariga completamente normal, com os meus defeitos e virtudes, mas ainda inocente, inconsciente de que o mundo é bem cruel, ingénua dos demónios que assombram a Terra. Ao contrário das raparigas daquela altura, que com dezanove anos, já se encontravam casadas, eu, rebelde, voltada para outro mundo, voltada para um mundo cheio de aventuras, era o modelo da mulher radical. Queria mover montanhas, voar nos céus, conhecer os mares… queria ser independente.
Sim! Não aguentava as minhas amigas, que ficavam em casa a lavar os tachos, a preparar a ceia para o marido, a costurar as roupas dos filhos. Não! Eu não tinha sido feito para aquilo e temia os homens. Não queria que eles me pintassem esse retrato de dona de casa, não queria que me aprisionassem numa vida rotineira, não queria ser escrava deles. Enfim! Mal eu sabia que iria ter tantas vidas quanto aquelas que me permitem ser tudo aquilo que quis como aquilo que nunca quis ser.
Então parti. Fugi da casa dos meus pais, que honrosamente me sustentavam, para não ter que sofrer o terrível destino que já via traçado nos outros… e mal sabia eu como seria o meu. Saí da minha pátria, como que clandestina, rumo a horizontes que desconhecia. Caminhei ao longo de terras conhecendo gentes que apenas posso relembrar, se a memória ainda o quiser. Sim! Foi aos dezanove anos que a minha grande aventura começou.
Mas isto tudo não se deu num clic! Por mais ousada que fosse, por mais teimosa que quisesse ser, não era irresponsável e sabia que a fuga não era uma decisão a tomar de ânimo leve. Na verdade, o principio desta loucura aconteceu numa noite em que a coruja não parava de ulular, numa noite em que a raposa levou para a sua toca uma galinha morta de doença, numa noite em que o vento não ousava soprar, numa noite em que as estrelas, medrosas, se escondiam atrás do negrume das nuvens. Nessa mesma noite, andava eu pelas ruas da aldeia, desafiando os contos que nos dizem para ficar em casa depois da meia-noite. Talvez pensativa, não me recordo o motivo, mas lá caminhava na berma da estrada calcetada, numa rua longínqua do povo, como que ousando a toda a força que as bruxas e os lobisomens me encontrassem, eu, presa fácil nessa noite que mudou o meu rumo. Mas nunca pensei eu, que de facto, a bruxa me iria encontrar.
Sim! Andava eu nesse caminho despojado de gente, a caminhar envolta nos meus pensamentos, à toa, quando nisso, no fim do caminho, estava uma sombra deitada no chão. Uma sombra em que a noite não permitia distinguir os traços, uma sombra já no fim da aldeia, no limite da rua calcetada e no inicio do caminho poeirento. Nisso, um suspiro saíra da sombra despertando os meus sentidos, como que chamando por mim, perfume que atrai o animal faminto. E num tom agrume já enferrujado a sombra falou:
            - Aproxima-te. Tu! Que na noite caminhas sem medo. Tu! Que os desejos falam mais alto que o voo dos anjos de Deus. Aproxima-te, se quiseres saber que maldades enfrentará o teu coração.     
publicado por stevs às 23:14

3 opiniões:
Mais mais *_*
QuandoTuChegares a 19 de Abril de 2009 às 00:30

Obrigado Quandotuchegares "!!!
Tentarei postar a segunda parte o mais rapidamente possível , mas com uma frequência que se avizinha, é sempre complicado :S
stevs a 19 de Abril de 2009 às 14:58

Pois, imagino :/
QuandoTuChegares a 19 de Abril de 2009 às 18:49

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